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Quando eu penso em todos os que ficaram
Sinto a presença física da distância.
E as outras vidas que existem lá além da minha,
Antes eu as via, hoje as sinto em leve pensamento.
Não há como retornar o ser ao que era antes
Pois não há mais antes.
De tudo o que hoje é, sou tocado pela mansidão,
E a mim vêem com olhos além do pensamento.
Há luzes que piscam lá fora da janela
E há ventos que sopram em outras direções,
Mas há vida em cada ser
E cada um conta a sua história.
Nós não herdamos o tempo,
Tampouco somos quem vivemos num único dia.
Porém enquanto dormimos demais
Perdemos o brilho do Sol que nos conduz à infinitas direções.
Os ventos alísios me sopraram pela própria Vontade
Seguindo a rota traçada pelo meu próprio descontentamento.
Mas não deixei que meus pés seguissem sem que sentisse o vento,
Pois pra reviver a si mesmo é preciso estar consciente.
Mas tem horas que o vento cessa silenciosamente tudo ao meu redor.
E a tênue existência interior rodopia com ares de certeza,
Trazendo à consciência que os ventos só exalarão as fragrâncias da Virtude
Quando independente do ver, ouvir e sentir; houver a paciência do viver.
O fim de um ano sempre traz uma nova esperança. A esperança é trazida pelo fim das coisas, Não pelo seu começo. Pois é no fim que a possibilidade de algo novo se renova.
A idéia da renovação faz os olhos verem novas cores, Mesmo que já as tenha visto antes, Mas é diferente, Pois são tocados novamente pelas cores das novas possibilidades.
De tudo o que pode acontecer e que pode até ser pressentido, A esperança é a que ganha mais cor. E unir o interior ao exterior, Apenas isto faz sentido.
Em cada canto há lugares e pessoas que merecem continuar perto, Há momentos também, mas estes somente existem num único instante Não permitindo que sejam acompanhados Ou deixem-se acompanhar tentando vivê-los novamente.
Cada ida ou vinda é um rompimento. Em cada ação há laços que são criados E na vida que segue há sempre vontades, internas ou além, Que se movimentam muitas vezes sozinhas Como dotadas de vida por alguma força vinda do próprio tempo.
Acordar trás sempre a reminiscência De um cessar que durou toda uma noite. E que ao acordar encontra tudo como antes, Um lugar desconhecido onde o corpo repousou.
O abrir de olhos anula todos os desejos dos sentidos, Não há fome, nem há vontade de nada físico. Pois nem sempre há significado Naquilo que vem do mundo como um impulso ao corpo.
O corpo já foi marcado pelos sinais desta vida, Desde cicatrizes das aventuras da infância, Que hoje fazem lembrar tempos e ares que mais parecem sonho, Até aquelas que apenas existem no pensamento.
Também há marcas de sensações, Ainda despertas ou já dormentes no universo inconsciente, Todas elas deixadas pela insistência E convivência no reino de homens.
Há marcas mais à frente, Que se abrem ou cicatrizam pelo curar de outras E que são tão difíceis de aceitar.
Passa um barco desconhecido frente ao mar, Acena ao longe uma figura sem forma Mas não sabes se ela quer que vás com ela, Levando contigo nada, nem mesmo o Eu.
Enquanto isto observas o barco E procuras não pensar, Na dúvida se a figura verá o teu aceno de volta.
Olhar para o chão não diz muita coisa, Nem revela muitas novidades aos olhos. Apenas uns pequenos detalhes Que passam despercebidos quando se despreza o chão que anda.
Mas também olhar o horizonte não significa ver o futuro Nem ao menos garante que se aprenda algo Simplesmente por contemplar repetidamente A linha que separa a terra do céu.
Uma criança ri ao longe e vive a sua inocência, Nela não há mais o que sentir, não há o que esperar. Pois não lhe cabe qualquer pensamento neste aspecto, Apenas exaltar o que é realmente, o que sente e lhe toca os sentidos.
E vem momentos, como vidas dentro da própria idéia de existir Que se tornam ausentes de sentido, Pois o ultrapassar uma dessas vidas à uma outra, dentro da mesma idéia de existir, Faz como que se passe por um espaço neutro e vazio entre elas Onde não há nada que se possa compreender enquanto se está nele.
Todos os sentimentos conhecidos se chocam com uma força nunca vista antes Como se lutassem pela anulação de tudo, deles principalmente! Como se tentassem sobressair em algo maior, vindo realmente do mais puro vazio interior Assim como a criança que nasce e nada espera do mundo, nem lhe deseja nada.
E nesse mesmo sentir das diversas vidas, há diversas mortes. Conscientes e tênues como lâmina fina que separa a existência em fragmentos Como que numa tentativa evolutiva de exaltar a unidade, Aquela presente no universo cósmico, aquela interior ao próprio átomo.
Sim, mas o que haveria de acontecer para estes fragmentos voltarem a ser uma vida? De que forma uma outra verdadeira poderia nascer, Como aquela antes de ser impulsionado ao espaço vazio e à dor da neutralidade entre estes fragmentos de vida, Uma vida que pareça toda uma realidade?
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